BNCC e a educação infantil

BNCC e a educação infantil

Para acompanhar mudanças, colégio foca em experiência para aprendizado.

Em 2017, o Ministério da Educação determinou a adoção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um novo documento elaborado para basear o currículo da Educação Infantil, tratando a concepção de criança como protagonista, especificada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil(DCNEI). As escolas puderam instituir cinco Campos de Experiências e objetivos específicos de aprendizagem, baseados nos seis Direitos de Aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se.

Em São Paulo, algumas instituições de ensino utilizam a BNCC. O Colégio Guilherme Dumont Villares, parceiro e associado da UNESCO, estabelece a BNCC a partir da Educação Infantil.

A Coordenadora da Escola Infantil, Juliana Gonçalves, foi entrevistada pelo Yahoo!, a respeito do assunto.

Por que houve a mudança na Base Curricular infantil?

Juliana: Ela veio em 2017. Claro que vem aprimorando outras diretrizes nacionais desde a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes Base de 1996. A educação infantil tinha um papel muito secundário porque era muito focada no cuidar. Esse binômio cuidar/educar é muito delicado. Até que ponto eu cuido e educo ou educo e cuidando. É um binômio confuso à primeira vista, mas agora estão totalmente entrelaçados. Quando você está cuidando, você está educando. Claro que a integridade física da criança vem em primeiro lugar, mas é muito mais do que isso. Hoje, as crianças são “nativos digitais”. Essa questão de saber cores….Hoje elas já reconhecem cores bebezinhos. Elas não sabem falar, mas a partir do campo visual, já tem muitos conceitos adquiridos. A escola fica obsoleta se não se atualizar e fazer essa associação entre o “nativo digital” e o que a escola pode oferecer como concreto, como atitudinal. Como fazer que compreenda que tem que esperar sua vez de falar, para que a criança tenha foco, para que trace um percurso desde pequeninho. Eles já são pesquisadores e cientistas, aprendem a aprender, investigar, pesquisar.

Em décadas passadas, a educação infantil vivia em torno do professor. Hoje, os professores são mais observadores do que líderes, por exemplo?

Juliana: É mais ou menos isso. Não só a observação, vem de um momento de uma brincadeira livre, durante a tarde ou pela manhã, para que os professores possam perceber qual é o repertório que essa criança traz. Como são crianças muito pequenas, não é tanto só na oralidade, é muito na atitude, que as crianças demonstram. A partir deste repertório, nós vamos gerar significados, então temos que trabalhar conceitos. Relacionar numeral à quantidade é um conceito. Nós podemos trabalhar de diferentes formas. Montamos um robô estilo Minecraft, que é um jogo que eles gostam, para trabalhar o corpo humano, com base num jogo que eles gostam. O mesmo conceito pode ser trabalhado de diferentes formas, para que faça sentido para as crianças e isso tem que estar dentro do repertório deles.

A participação das famílias ficou mais acessível no acompanhamento do desenvolvimento escolar?

Juliana: Muito. Nós falamos que somos uma comunidade educativa porque temos o mesmo objetivo. Existe o papel claro da escola e da família. Existe uma parceria, um diálogo e cada vez mais as famílias nos procuram, até por questões que não conseguem lidar em casa, como o aspecto sócio-emocional, dos limites. É muito delicado mesmo crianças de dois, três, quatro anos de idade, como trabalhar os limites. Temos vivências no colégio, para que as crianças pequenas e bem pequenas possam “ensinar” as famílias sobre o que estão aprendendo. Tem uma dinâmica e uma aproximação entre escola/família. Nós acreditamos que só desta forma vamos construir juntos esse mundo mais justo e democrático.

Qual é o principal objetivo das escolas, utilizando a BNCC?

Juliana: O que eu considero mais importante é nós garantirmos a evolução de cada criança. A primeira infância é a fase que a criança ainda tem uma plasticidade cerebral, em que é possível adquirir o maior número de habilidades. Então, se nós estivermos garantindo o lúdico, a imaginação, criatividade, mas uma intencionalidade clara para cada ação desenvolvida na escola de educação infantil, nós vamos garantir a evolução de cada uma, não só a brincadeira pela brincadeira, a interação pela interação. Isso a BNCC traz claramente, os seis objetivos de aprendizagem para essa fase primordial.

Por Alexandre Praetzel

Publicado em Yahoo Finanças – 12/02/2019 



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